Governo garante Auxílio Emergencial por quatro meses

O ano de 2020 foi extremamente difícil para os brasileiros. Aliás, não apenas para os brasileiros, como para a maior parte do mundo. Afinal, tivemos que enfrentar uma pandemia que chegou assim, sem aviso prévio. E no Brasil, as dificuldades econômicas que já existiam anteriormente se tornaram ainda mais graves do que já eram.

Mas o Governo Federal não tem tudo do que reclamar, uma vez que os pagamentos do Auxílio Emergencial fizeram com que a aceitação do governo por parte da população ficasse em um nível aceitável. E é justamente para manter a popularidade conquistada no ano passado que o Governo não tem hesitado tanto em prorrogar o Auxílio Emergencial para este ano.

Na verdade, o valor das novas parcelas do Auxílio Emergencial ainda não está definido, mas o presidente Jair Bolsonaro já fez algumas declarações em defesa do valor de 250 reais, um valor que corresponde a menos da metade do valor original das parcelas que foram pagas no ano de 2020, que foram de 600 reais cada uma. Ainda de acordo com o presidente, o objetivo principal é pagar um total de 4 novas parcelas.

Se o texto da PEC Emergencial conseguir ser aprovado no Congresso Nacional, a expectativa do governo é a de começar a fazer o pagamento das novas parcelas do benefício ainda neste mês de março, considerando que o país já enfrenta um pico absurdo de casos do novo coronavírus, com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) lotados em diversas regiões do país.

Porém, a movimentação do Congresso Nacional para que o valor das novas parcelas do Auxílio Emergencial seja maior do que 250 reais pode fazer com que o texto enfrente alguns obstáculos maiores do que se previa até que seja enfim aprovado. Ou seja, por conta dos impasses entre Governo e Congresso, o Novo Auxílio Emergencial pode demorar um pouco mais de tempo para chegar na conta dos brasileiros que tem direito a receber o benefício.

Governo tem interesse em prorrogar o Auxílio Emergencial para manter popularidade

O retorno dos pagamentos do benefício emergencial, muito além de oferecer o auxílio financeiro para milhões de famílias que se encontram em situação crítica de vulnerabilidade econômica diante dos efeitos devastadores da pandemia do novo coronavírus, também causa o efeito de manter a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em queda desde o fim dos pagamentos do benefício em janeiro deste ano. Ao menos, é isso o que indicam as pesquisas mais recentes que foram realizadas.

Por outro lado, de acordo com os especialistas no assunto, a relação entre a Prorrogação do Auxílio Emergencial e a aceitação do governo pela população não é tão direta quanto se pode imaginar e pode ser, inclusive, frágil, caracterizando uma situação que é temporária. Em outras palavras, a plena popularidade do governo não depende apenas dos pagamentos das novas parcelas do Auxílio Emergencial, mas também de uma recuperação econômica bem estabelecida, assim como de ações efetivas para fazer a pandemia regredir no país.

Portanto, embora o Governo apresente um certo otimismo em relação aos pagamentos do Novo Auxílio Emergencial, é certo que este fato isolado não vai ser capaz de limpar a imagem do governo diante da população em tempos de pandemia. É como se os pagamentos do benefício emergencial, de forma isolada, não fossem capazes de convencer a população de que o governo está cumprindo o seu papel tal como deveria fazer. Nesse sentido, o Congresso Nacional defende que outras medidas econômicas ainda precisam ser colocadas em prática, o quanto antes for possível.

A verdade é que a queda nos índices de popularidade do Governo Federal coincidiu com o fim dos pagamentos do Auxílio Emergencial no mês de janeiro de 2021. A última pesquisa que foi divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) na última semana de fevereiro, em parceria com o Instituto de Pesquisa MDA, apontou que 35,5% da população brasileira reprova o atual governo. Em comparação com os números da pesquisa anterior, a reprovação aumentou, pois anteriormente, 32% da população havia declarado não aprovar o governo.

Os dados da pesquisa mais recente da CNT ainda revelaram que a desaprovação do atual presidente é de 51% contra 43% de aprovação. E ainda de acordo com as informações que foram coletadas por esta pesquisa, os brasileiros que consideram o atual governo como “ótimo” ou “bom” diminuíram de 42% para 32,9%. Uma queda significativa para um prazo tão curto.

Diante desse cenário, é certo que a prorrogação do Auxílio Emergencial pode surtir um efeito positivo a favor da popularidade do presidente, mas a longo prazo, o pagamento de novas parcelas do benefício não vai ser o suficiente para manter um nível de aceitação muito favorável. Ou seja, o governo precisará agir em conjunto com outras ações econômicas para manter a sua popularidade em um patamar estável, e não somente temporário.

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