Zeugma é uma figura de linguagem de construção que ocorre quando um termo já mencionado anteriormente é omitido, mas continua subentendido pelo contexto. Em vez de repetir uma palavra ou expressão, o enunciado a suprime, confiando na recuperação feita pelo leitor ou ouvinte. Por isso, o zeugma está ligado à economia da linguagem e à coesão textual, sendo muito frequente tanto na fala cotidiana quanto na literatura.
No estudo das figuras de linguagem, é importante distinguir o zeugma de outros mecanismos de omissão. No Ensino Médio, ele costuma aparecer em questões de vestibulares e do Enem associado à análise sintática, à expressividade e à concisão. Entender como essa figura funciona exige observar o termo elíptico, sua retomada no contexto e o efeito de sentido produzido pela ausência aparente de uma palavra que, na verdade, permanece semanticamente ativa.
O que é zeugma
Zeugma é a omissão de um termo que já apareceu antes no enunciado e que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Essa omissão evita repetições desnecessárias e torna a frase mais fluida. Exemplo: “Eu gosto de literatura; ela, de cinema.” Nesse caso, o verbo “gosto” foi omitido na segunda oração.
Como figura de construção, o zeugma atua na organização sintática da frase. O elemento retirado pode ser verbo, substantivo, preposição ou outro termo anteriormente expresso. O ponto central é que não se trata de uma ausência aleatória: a compreensão continua possível porque o termo omitido já foi apresentado.
Em análises mais aprofundadas, o zeugma pode ser visto como um tipo particular de elipse. A diferença central está no fato de que, no zeugma, o termo ausente já foi explicitado antes. Isso dá à figura um caráter anafórico, pois ela retoma algo já dito no desenvolvimento do enunciado.
Zeugma, elipse e outros recursos próximos
A comparação entre zeugma e elipse é uma das mais cobradas. Na elipse, um termo pode ser omitido mesmo sem ter sido mencionado antes, desde que o contexto permita inferi-lo. Já no zeugma, o termo necessariamente foi apresentado anteriormente. Assim, todo zeugma é uma forma de elipse, mas nem toda elipse é zeugma.
Também é útil não confundir zeugma com silepse ou anacoluto. A silepse envolve concordância ideológica, feita com base no sentido e não na forma gramatical. O anacoluto, por sua vez, rompe a estrutura sintática esperada, criando um deslocamento. O zeugma não rompe a estrutura: ele apenas suprime um elemento recuperável.
Outra distinção importante é em relação ao paralelismo. Muitas construções com zeugma dependem de estruturas paralelas para facilitar a recuperação do termo omitido. Mesmo assim, paralelismo e zeugma não são a mesma coisa: o primeiro é uma organização estrutural; o segundo, uma omissão expressiva.
Efeitos de sentido produzidos pelo zeugma
O efeito mais evidente do zeugma é a concisão. Ao retirar um termo repetido, o enunciado ganha agilidade e evita redundâncias. Esse recurso é especialmente valorizado em textos literários, jornalísticos, publicitários e argumentativos, nos quais a economia verbal pode reforçar clareza e ritmo.
Além da concisão, o zeugma pode contribuir para a elegância estilística. Em vez de repetir mecanicamente a mesma palavra, o autor cria uma progressão mais leve. Em determinados contextos, isso aproxima o texto da oralidade, já que na fala é comum omitir elementos que o interlocutor consegue recuperar sem dificuldade.
Em textos literários, o zeugma também pode intensificar contrastes e simetrias. Ao deixar o termo implícito, o foco recai sobre os elementos que variam na sequência. Em “Uns estudam por vocação; outros, por obrigação”, a omissão do verbo desloca a atenção para a oposição entre os motivos apresentados.
Como identificar zeugma em frases e textos
Para reconhecer o zeugma, o primeiro passo é procurar repetições que seriam esperadas pela norma da estrutura completa, mas que foram evitadas. Em seguida, é preciso verificar se o termo ausente já apareceu anteriormente. Se a resposta for positiva e a frase continuar compreensível, há grande chance de se tratar de zeugma.
Observe, por exemplo: “Na infância, gostava de música; na adolescência, de teatro.” A forma verbal “gostava” aparece apenas uma vez, mas vale para os dois segmentos. O leitor reconstrói mentalmente a segunda ocorrência sem dificuldade. Essa reconstrução é o mecanismo central da figura.
Em exercícios, vale reescrever a frase de modo pleno para confirmar a análise. “Na infância, gostava de música; na adolescência, gostava de teatro.” Se a reconstituição mantiver o sentido e apenas eliminar a omissão, o zeugma fica evidente. Essa estratégia ajuda bastante em provas objetivas e discursivas.
Exemplos comentados de zeugma
Exemplo 1: “Pedro levou os cadernos; Ana, os livros.” O verbo “levou” foi omitido na segunda parte. A estrutura paralela permite recuperar o termo sem ambiguidade. O efeito é de síntese e equilíbrio entre os dois membros da frase.
Exemplo 2: “Uns falavam de política; outros, de futebol.” Novamente, o verbo “falavam” aparece apenas no primeiro segmento. A omissão evita repetição e destaca o contraste entre os assuntos mencionados. Esse tipo de construção é muito comum em textos argumentativos e narrativos.
Exemplo 3: “Eu prefiro poesia; meu irmão, romance.” Aqui, o verbo “prefere” ou a locução correspondente é recuperada a partir do primeiro trecho, com adaptação de pessoa. Em análises mais refinadas, é importante observar que o sentido continua claro porque a relação sintática entre os elementos permanece estável.
Zeugma em vestibulares e no Enem
Em provas, o zeugma costuma aparecer em questões que pedem identificação de figuras de linguagem ou análise dos efeitos expressivos de determinado trecho. Muitas vezes, o examinador apresenta alternativas com termos próximos, como elipse, pleonasmo ou silepse. Por isso, o estudante precisa dominar os critérios de distinção.
Uma boa estratégia é verificar se houve omissão de termo já expresso anteriormente e se essa omissão reduziu repetições. Se isso ocorrer, a classificação como zeugma se torna bastante provável. Também convém perceber se a construção mantém clareza e paralelismo, dois aspectos muito associados ao funcionamento dessa figura.
Na produção textual, compreender o zeugma ajuda a interpretar melhor textos de alto nível de elaboração. Embora não seja necessário forçar seu uso em redações, reconhecer essa figura aprimora a leitura crítica e o repertório linguístico. Em literatura e gramática aplicada, esse domínio faz diferença em questões mais difíceis.
Perguntas frequentes
Zeugma e elipse são a mesma coisa?
Não exatamente. O zeugma é um tipo de elipse. Na elipse, o termo omitido pode não ter aparecido antes; no zeugma, ele já foi mencionado anteriormente no enunciado.
Qual é o principal efeito de sentido do zeugma?
O principal efeito é a concisão, pois a figura evita repetições desnecessárias. Além disso, pode dar mais fluidez, ritmo e elegância ao texto.
Como saber se uma frase tem zeugma?
Verifique se falta um termo que já apareceu antes e se ele pode ser recuperado facilmente pelo contexto. Se a frase continuar clara mesmo com essa omissão, há zeugma.
Zeugma pode omitir apenas verbos?
Não. Embora a omissão de verbos seja muito comum, o zeugma também pode suprimir outros termos já citados, desde que o contexto permita recuperá-los com clareza.








