A redação do Enem é avaliada por critérios rigorosos que incluem clareza, objetividade e a capacidade de defender uma ideia com consistência. Dentro desse processo, a tese é o núcleo do texto, funcionando como a base que sustenta todo o desenvolvimento argumentativo. Uma tese bem formulada mostra que o estudante compreendeu o tema proposto e tem condições de apresentar uma solução viável para o problema discutido.
Para conquistar a nota máxima na redação do Enem, é indispensável estruturar a tese de forma clara, direta e objetiva. Ela deve indicar a posição do autor em relação ao tema e servir como guia para os argumentos que virão ao longo do texto. Sem uma tese sólida, a redação tende a ficar vaga ou incoerente.
Como elaborar uma tese clara e objetiva?
Uma boa tese é construída a partir da compreensão total do tema. O estudante precisa analisar cuidadosamente a frase motivadora, os textos de apoio e o comando da proposta. Dessa forma, será possível identificar qual problema social precisa ser discutido e qual posicionamento deve ser defendido.
É importante evitar frases genéricas ou opiniões superficiais. A tese deve ser específica e apresentar uma linha de raciocínio que oriente a argumentação. Por exemplo, em um tema sobre mobilidade urbana, uma tese poderia ser: “A falta de investimento em transporte público sustentável agrava os problemas de mobilidade nas grandes cidades brasileiras”. Esse posicionamento é claro, direto e já aponta para caminhos de discussão.
Estratégias para fortalecer a argumentação
Depois de definir a tese, o próximo passo é construir argumentos consistentes. A argumentação no Enem deve ser baseada em fatos, dados, referências culturais ou exemplos históricos. Esses elementos conferem credibilidade ao texto e mostram que o candidato domina o assunto. Sempre que possível, utilize informações de fontes confiáveis, como o IBGE, a UNESCO ou relatórios oficiais.
Outra estratégia importante é variar os tipos de argumentos. Você pode usar referências da história, da sociologia, da filosofia ou até mesmo da literatura. Essa diversidade amplia a riqueza do texto e demonstra repertório sociocultural, que é um dos critérios de avaliação do Enem. Além disso, os argumentos precisam estar sempre conectados à tese apresentada, garantindo coesão e coerência.
Uso de repertório sociocultural
O repertório sociocultural é um recurso poderoso para enriquecer a argumentação. Ao citar conceitos de filósofos como Aristóteles, obras literárias brasileiras ou dados de pesquisas científicas, o candidato mostra domínio de diferentes áreas do conhecimento. É fundamental, porém, que essas referências sejam usadas de forma pertinente, sempre relacionadas ao tema da redação.
Um exemplo prático: em uma redação sobre saúde mental, mencionar a Organização Mundial da Saúde (OMS) ou obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, pode fortalecer a argumentação. O importante é que o repertório seja relevante e esteja conectado à tese e aos argumentos do texto.
Coerência e progressão textual
A progressão textual é outro ponto essencial. Isso significa que os argumentos devem ser apresentados em ordem lógica, cada um complementando o anterior. A redação precisa ter início, meio e desenvolvimento bem estruturados, conduzindo o leitor até a proposta de intervenção final.
Para garantir essa progressão, organize os parágrafos de forma que cada um explore um aspecto diferente do problema. Use conectores como “além disso”, “por outro lado” e “portanto” para manter a fluidez da leitura e reforçar a lógica do texto.
A importância da proposta de intervenção
O Enem exige que, além de argumentar sobre o problema, o candidato apresente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Essa proposta deve ser viável, detalhada e estar diretamente relacionada à tese. Por isso, ao elaborar a tese, já pense em possíveis soluções para o problema discutido.
A proposta de intervenção deve contemplar cinco elementos: agente, ação, modo/meio, efeito e detalhamento. Por exemplo, se a tese discute a necessidade de educação digital para jovens, a proposta pode sugerir que o Ministério da Educação promova programas de capacitação digital em escolas públicas, utilizando laboratórios de informática, com o objetivo de preparar os estudantes para o mercado de trabalho contemporâneo.
Erros comuns ao formular a tese
Um dos erros mais frequentes dos candidatos é escrever uma tese vaga, sem posicionamento definido. Frases como “a sociedade precisa melhorar” ou “é necessário mudar essa realidade” são insuficientes porque não apresentam um problema específico nem direcionam a argumentação. Evite generalizações.
Outro erro é apresentar uma tese contraditória ao longo do texto. Se a introdução defende um ponto de vista, os parágrafos de desenvolvimento não podem seguir em direção contrária. Isso compromete a coerência textual e reduz a nota da redação. A clareza deve ser mantida do início ao fim.
Exemplos de teses bem estruturadas
Para fixar melhor, veja exemplos de teses em temas já cobrados no Enem:
Enem 2018 (manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados): “A ausência de regulamentação sobre o uso de dados digitais no Brasil intensifica a manipulação do comportamento do usuário, exigindo políticas públicas eficazes”.
Enem 2020 (estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira): “O preconceito contra doenças mentais persiste no Brasil devido à falta de informação e políticas públicas de apoio, demandando ações educativas e de saúde”.
Esses exemplos mostram como uma tese bem construída já indica o caminho que a argumentação vai seguir, facilitando a organização do texto e aumentando as chances de nota máxima.














