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Mudanças na redação do Enem: O que mudou na prática e como garantir nota alta em 2026

Entenda os novos critérios, evite erros na Competência 2 e 5 e aprenda a estruturar um texto dissertativo-argumentativo mais estratégico

25 de fevereiro de 2026
em Enem

As mudanças na redação do Enem têm gerado dúvidas entre estudantes do Ensino Médio que se preparam para a prova. Embora a estrutura dissertativo-argumentativa continue a mesma, relatos recentes de capacitação de corretores indicam ajustes importantes na forma como os textos estão sendo avaliados.

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Na prática, isso significa que apenas seguir um “modelo pronto” já não garante uma boa pontuação. O estudante precisa demonstrar domínio real do tema, argumentação consistente e proposta de intervenção detalhada. Entender essas mudanças pode ser decisivo para alcançar uma nota acima de 900 pontos.

O que mudou na redação do Enem na prática?

A principal transformação não está na estrutura formal do texto, mas no nível de exigência da correção. A banca passou a observar com mais rigor a profundidade do repertório sociocultural, a coerência dos argumentos e a clareza da proposta de intervenção.

Além disso, elementos antes tratados de forma mais mecânica, como o uso de conectivos, agora são analisados sob um olhar mais qualitativo. O texto precisa fluir naturalmente, com encadeamento lógico real entre as ideias.

Guerra aos modelos prontos e repertório superficial

Um dos pontos mais destacados nas capacitações é a chamada “guerra aos modelos prontos”. O uso de repertórios “coringas”, como citações genéricas de obras famosas sem conexão profunda com o tema, está sendo penalizado.

Se o corretor perceber que a referência foi apenas “jogada” no texto, sem análise crítica ou relação direta com o problema discutido, a nota pode cair na Competência 2, que avalia a compreensão do tema e o uso produtivo de repertório.

Isso significa que não basta mencionar autores como Bauman ou Thomas More. É necessário explicar claramente como aquela ideia se relaciona com a problemática apresentada na proposta.

Para garantir um bom desempenho, o estudante deve escolher repertórios que realmente domine e que possam ser articulados de forma estratégica com a tese defendida.

Peso maior do repertório na Competência 2 e 3

O repertório sociocultural agora tem peso dobrado na prática. Se ele for considerado fraco, improdutivo ou desconectado da argumentação, pode prejudicar tanto a Competência 2 quanto a Competência 3.

A Competência 3 avalia a organização dos argumentos e o projeto de texto. Ou seja, se o repertório não sustenta a ideia central, o texto perde força argumentativa.

Para evitar esse problema, o ideal é trabalhar com repertórios atuais, dados concretos, fatos históricos relevantes ou referências literárias que dialoguem diretamente com o tema.

Quanto mais específica for a relação entre repertório e argumento, maior a chance de o corretor perceber domínio crítico e profundidade.

Subjetividade maior na coesão textual (C4)

Outra mudança relevante envolve a Competência 4, que avalia a coesão. Antes, muitos estudantes focavam apenas na contagem de conectivos como “Ademais”, “Portanto” e “Outrossim”.

Agora, a análise considera a chamada “presença expressiva”. Isso significa que o texto precisa apresentar fluidez natural, encadeamento lógico e progressão clara das ideias.

Repetir conectivos de forma automática não garante mais pontuação máxima. O corretor avalia se há coerência real entre os parágrafos e se as ideias se conectam de maneira orgânica.

Portanto, mais do que decorar conectivos, o estudante deve compreender o papel deles na construção do raciocínio.

Alerta vermelho na Competência 5: a ação precisa ser clara

A Competência 5, que avalia a proposta de intervenção, continua sendo decisiva para notas altas. Porém, relatos indicam que o elemento “ação” tem sido o principal motivo de perda de pontos.

Muitas propostas são consideradas vagas. Expressões como “o governo deve fazer algo” ou “é preciso conscientizar a população” não demonstram detalhamento suficiente.

Como estruturar corretamente a proposta de intervenção?

Para garantir pontuação máxima, a proposta precisa apresentar cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. O mais crítico atualmente é a clareza da ação.

Em vez de escrever algo genérico, o ideal é indicar um órgão específico e uma medida concreta. Por exemplo: “O Ministério da Educação deve instituir programas de letramento digital nas escolas públicas”.

Observe que há verbo de ação claro (“instituir”) e medida objetiva (“programas de letramento digital”). Esse nível de precisão demonstra planejamento e responsabilidade social.

Quanto mais específica for a intervenção, maior a chance de atingir os 200 pontos na Competência 5.

Estrutura logicamente encadeada: o novo diferencial

Embora a estrutura tradicional permaneça — introdução, dois desenvolvimentos e conclusão —, o encadeamento lógico ganhou protagonismo. O corretor espera coerência entre o que é prometido e o que é desenvolvido.

Se o estudante apresenta duas causas na introdução, ele deve obrigatoriamente desenvolver exatamente essas duas nos parágrafos seguintes.

Introdução estratégica

Na introdução, apresente o tema, utilize um repertório pertinente e construa uma tese com duas causas ou dois aspectos do problema.

Essa organização funciona como um “mapa” do texto. O corretor espera que os próximos parágrafos sigam fielmente essa estrutura anunciada.

Desenvolvimentos com foco definido

No primeiro desenvolvimento, aprofunde a primeira causa apresentada. Use conectivos como “Em primeira análise” e explique como aquele fator sustenta o problema.

No segundo desenvolvimento, trate da segunda causa. Caso seja complementar, utilize conectivos de adição. Se for oposta, utilize conectivos de contraste.

Essa organização demonstra projeto de texto bem estruturado, o que fortalece a Competência 3.

Conclusão alinhada à tese

A conclusão deve retomar a tese e apresentar soluções diretamente relacionadas às causas discutidas. Se você apontou dois problemas, deve propor medidas que enfrentem ambos.

Esse alinhamento reforça a coerência global e aumenta a percepção de domínio argumentativo.

As mudanças na redação do Enem mostram que o foco não está em fórmulas prontas, mas em estratégia, profundidade e clareza. O estudante que compreender essas exigências e treinar com atenção aos detalhes terá vantagem competitiva na busca por uma nota elevada.

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