As mudanças na redação do Enem têm gerado dúvidas entre estudantes do Ensino Médio que se preparam para a prova. Embora a estrutura dissertativo-argumentativa continue a mesma, relatos recentes de capacitação de corretores indicam ajustes importantes na forma como os textos estão sendo avaliados.
Na prática, isso significa que apenas seguir um “modelo pronto” já não garante uma boa pontuação. O estudante precisa demonstrar domínio real do tema, argumentação consistente e proposta de intervenção detalhada. Entender essas mudanças pode ser decisivo para alcançar uma nota acima de 900 pontos.
O que mudou na redação do Enem na prática?
A principal transformação não está na estrutura formal do texto, mas no nível de exigência da correção. A banca passou a observar com mais rigor a profundidade do repertório sociocultural, a coerência dos argumentos e a clareza da proposta de intervenção.
Além disso, elementos antes tratados de forma mais mecânica, como o uso de conectivos, agora são analisados sob um olhar mais qualitativo. O texto precisa fluir naturalmente, com encadeamento lógico real entre as ideias.
Guerra aos modelos prontos e repertório superficial
Um dos pontos mais destacados nas capacitações é a chamada “guerra aos modelos prontos”. O uso de repertórios “coringas”, como citações genéricas de obras famosas sem conexão profunda com o tema, está sendo penalizado.
Se o corretor perceber que a referência foi apenas “jogada” no texto, sem análise crítica ou relação direta com o problema discutido, a nota pode cair na Competência 2, que avalia a compreensão do tema e o uso produtivo de repertório.
Isso significa que não basta mencionar autores como Bauman ou Thomas More. É necessário explicar claramente como aquela ideia se relaciona com a problemática apresentada na proposta.
Para garantir um bom desempenho, o estudante deve escolher repertórios que realmente domine e que possam ser articulados de forma estratégica com a tese defendida.
Peso maior do repertório na Competência 2 e 3
O repertório sociocultural agora tem peso dobrado na prática. Se ele for considerado fraco, improdutivo ou desconectado da argumentação, pode prejudicar tanto a Competência 2 quanto a Competência 3.
A Competência 3 avalia a organização dos argumentos e o projeto de texto. Ou seja, se o repertório não sustenta a ideia central, o texto perde força argumentativa.
Para evitar esse problema, o ideal é trabalhar com repertórios atuais, dados concretos, fatos históricos relevantes ou referências literárias que dialoguem diretamente com o tema.
Quanto mais específica for a relação entre repertório e argumento, maior a chance de o corretor perceber domínio crítico e profundidade.
Subjetividade maior na coesão textual (C4)
Outra mudança relevante envolve a Competência 4, que avalia a coesão. Antes, muitos estudantes focavam apenas na contagem de conectivos como “Ademais”, “Portanto” e “Outrossim”.
Agora, a análise considera a chamada “presença expressiva”. Isso significa que o texto precisa apresentar fluidez natural, encadeamento lógico e progressão clara das ideias.
Repetir conectivos de forma automática não garante mais pontuação máxima. O corretor avalia se há coerência real entre os parágrafos e se as ideias se conectam de maneira orgânica.
Portanto, mais do que decorar conectivos, o estudante deve compreender o papel deles na construção do raciocínio.
Alerta vermelho na Competência 5: a ação precisa ser clara
A Competência 5, que avalia a proposta de intervenção, continua sendo decisiva para notas altas. Porém, relatos indicam que o elemento “ação” tem sido o principal motivo de perda de pontos.
Muitas propostas são consideradas vagas. Expressões como “o governo deve fazer algo” ou “é preciso conscientizar a população” não demonstram detalhamento suficiente.
Como estruturar corretamente a proposta de intervenção?
Para garantir pontuação máxima, a proposta precisa apresentar cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. O mais crítico atualmente é a clareza da ação.
Em vez de escrever algo genérico, o ideal é indicar um órgão específico e uma medida concreta. Por exemplo: “O Ministério da Educação deve instituir programas de letramento digital nas escolas públicas”.
Observe que há verbo de ação claro (“instituir”) e medida objetiva (“programas de letramento digital”). Esse nível de precisão demonstra planejamento e responsabilidade social.
Quanto mais específica for a intervenção, maior a chance de atingir os 200 pontos na Competência 5.
Estrutura logicamente encadeada: o novo diferencial
Embora a estrutura tradicional permaneça — introdução, dois desenvolvimentos e conclusão —, o encadeamento lógico ganhou protagonismo. O corretor espera coerência entre o que é prometido e o que é desenvolvido.
Se o estudante apresenta duas causas na introdução, ele deve obrigatoriamente desenvolver exatamente essas duas nos parágrafos seguintes.
Introdução estratégica
Na introdução, apresente o tema, utilize um repertório pertinente e construa uma tese com duas causas ou dois aspectos do problema.
Essa organização funciona como um “mapa” do texto. O corretor espera que os próximos parágrafos sigam fielmente essa estrutura anunciada.
Desenvolvimentos com foco definido
No primeiro desenvolvimento, aprofunde a primeira causa apresentada. Use conectivos como “Em primeira análise” e explique como aquele fator sustenta o problema.
No segundo desenvolvimento, trate da segunda causa. Caso seja complementar, utilize conectivos de adição. Se for oposta, utilize conectivos de contraste.
Essa organização demonstra projeto de texto bem estruturado, o que fortalece a Competência 3.
Conclusão alinhada à tese
A conclusão deve retomar a tese e apresentar soluções diretamente relacionadas às causas discutidas. Se você apontou dois problemas, deve propor medidas que enfrentem ambos.
Esse alinhamento reforça a coerência global e aumenta a percepção de domínio argumentativo.
As mudanças na redação do Enem mostram que o foco não está em fórmulas prontas, mas em estratégia, profundidade e clareza. O estudante que compreender essas exigências e treinar com atenção aos detalhes terá vantagem competitiva na busca por uma nota elevada.
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