O contexto histórico da guerra entre Israel e Palestina é resultado de uma longa disputa territorial, política e nacional, formada ao longo de séculos, mas intensificada sobretudo entre o fim do século XIX e o século XX. Para compreender esse conflito, é essencial analisar a relação entre nacionalismos, imperialismo, migrações, colonialismo britânico, decisões internacionais e guerras regionais que reorganizaram o Oriente Médio.
No Ensino Médio, especialmente em vestibulares e no Enem, esse tema costuma aparecer ligado à formação do Estado de Israel, à questão palestina, ao papel das potências internacionais e às consequências das guerras árabe-israelenses. O foco histórico exige atenção à sequência dos acontecimentos e à forma como diferentes projetos nacionais passaram a reivindicar o mesmo território, produzindo um conflito de longa duração.
1. Palestina otomana e o surgimento de nacionalismos
Até a Primeira Guerra Mundial, a região da Palestina fazia parte do Império Otomano. Sua população era majoritariamente árabe, com presença de muçulmanos, cristãos e comunidades judaicas locais. Nesse período, ainda não existiam os atuais Estados de Israel e Palestina, e a organização política do território seguia a lógica imperial otomana.
No fim do século XIX, cresceu na Europa o movimento sionista, que defendia a criação de um lar nacional judaico na Palestina. Esse projeto ganhou força em meio ao antissemitismo europeu e à ideia de que os judeus precisavam de um território próprio. Ao mesmo tempo, também se consolidavam formas de nacionalismo árabe entre populações da região.
Assim, antes mesmo da criação de Israel, já se formava uma tensão histórica: dois movimentos nacionais distintos passaram a reivindicar vínculos políticos e históricos com a mesma terra. Esse é um ponto central para entender a guerra entre Israel e Palestina em seu contexto histórico.
2. O Mandato Britânico e o agravamento das disputas
Com a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, a Palestina passou ao controle britânico, por meio do Mandato concedido pela Liga das Nações. A administração britânica ocorreu em um contexto contraditório, pois Londres havia feito promessas diferentes a árabes e judeus durante a guerra, estimulando expectativas incompatíveis sobre o futuro da região.
Em 1917, a Declaração Balfour manifestou apoio britânico à criação de um 'lar nacional para o povo judeu' na Palestina. Isso favoreceu a imigração judaica, especialmente nas décadas de 1920 e 1930, quando perseguições na Europa intensificaram a chegada de novos grupos. Para a população árabe palestina, esse processo passou a ser visto como ameaça demográfica, territorial e política.
Durante o Mandato Britânico, aumentaram os confrontos entre comunidades árabes e judaicas, além das revoltas palestinas contra a presença britânica e a imigração sionista. A incapacidade britânica de estabilizar a região contribuiu para internacionalizar a questão e transferi-la para a futura Organização das Nações Unidas.
3. A partilha da ONU e a criação do Estado de Israel
Em 1947, a ONU propôs a partilha da Palestina em dois Estados, um judeu e outro árabe, com Jerusalém sob administração internacional. A liderança sionista aceitou o plano, ainda que com reservas, porque ele abria caminho para a criação de um Estado judeu soberano. Já os árabes palestinos e os países árabes rejeitaram a proposta, argumentando que ela feria o direito da maioria da população local.
Em 1948, foi proclamado o Estado de Israel. Logo em seguida, começou a primeira guerra árabe-israelense, envolvendo Israel e Estados árabes vizinhos. O conflito alterou profundamente o mapa previsto pela ONU e consolidou militarmente o novo Estado israelense.
Para os palestinos, 1948 marcou a Nakba, termo que significa 'catástrofe'. Centenas de milhares de palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras, tornando-se refugiados. Esse deslocamento em massa está no centro da memória histórica palestina e permanece como uma das bases do conflito até hoje.
4. Guerras regionais e transformação da questão palestina
Nas décadas seguintes, o conflito deixou de ser apenas uma disputa local e tornou-se parte das guerras do Oriente Médio. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel derrotou Egito, Síria e Jordânia e passou a ocupar a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, áreas com forte presença palestina. Essa guerra foi decisiva porque ampliou o controle israelense sobre territórios reivindicados pelos palestinos.
A ocupação desses territórios modificou o conflito. A partir de então, a questão palestina passou a envolver não apenas refugiados e memória de 1948, mas também o problema da ocupação militar, dos assentamentos israelenses e do status de Jerusalém. Esses temas seguem entre os mais sensíveis nas negociações e nos confrontos.
Nesse mesmo contexto, fortaleceu-se a Organização para a Libertação da Palestina, a OLP, criada em 1964. Sob liderança de Yasser Arafat, a causa palestina ganhou maior projeção internacional e passou a ser tratada também como luta por autodeterminação nacional.
5. Intifadas, negociações e impasses históricos
Em 1987, teve início a Primeira Intifada, um levante palestino nos territórios ocupados. Ela expressou o desgaste da ocupação israelense e chamou atenção mundial para a vida cotidiana sob controle militar. O conflito deixou de ser visto apenas como guerra entre Estados e passou a ser entendido também como enfrentamento entre ocupação, resistência e população civil.
Nos anos 1990, os Acordos de Oslo criaram expectativas de solução negociada, com reconhecimento mútuo entre Israel e a OLP e previsão de autonomia palestina em partes da Cisjordânia e de Gaza. No entanto, questões fundamentais, como fronteiras definitivas, refugiados, Jerusalém e assentamentos, permaneceram sem solução.
A partir dos anos 2000, com a Segunda Intifada, o avanço de grupos como o Hamas e o endurecimento das políticas de segurança israelenses, o conflito se aprofundou. O fracasso das negociações mostrou que o passado histórico não havia sido superado e seguia influenciando diretamente a guerra entre Israel e Palestina.
6. Memória histórica, território e disputa de narrativas
Um dos elementos mais complexos do contexto histórico da guerra entre Israel e Palestina é a disputa de narrativas. Para muitos israelenses, a criação de Israel representa a realização do direito de autodeterminação judaica após séculos de perseguição, culminando no trauma do Holocausto. Para os palestinos, o mesmo processo é vivido como perda de território, expulsão e negação de sua soberania.
Essas memórias coletivas moldam identidades políticas e influenciam a forma como cada lado interpreta guerras, acordos e fronteiras. Por isso, o conflito não pode ser explicado apenas por fatores religiosos. Embora a religião tenha peso simbólico, o problema histórico envolve nacionalismo, colonização, ocupação, diplomacia internacional e controle territorial.
Em provas de História, é importante evitar simplificações. O contexto histórico da guerra entre Israel e Palestina exige reconhecer a coexistência de temporalidades longas, como os vínculos históricos com a terra, e de processos modernos, como imperialismo europeu, decisões da ONU e guerras do século XX.
Perguntas frequentes
A guerra entre Israel e Palestina é um conflito apenas religioso?
Não. Embora a religião tenha importância simbólica, o conflito é historicamente político e territorial. Ele envolve nacionalismos, disputa por soberania, ocupação de territórios, refugiados e decisões internacionais.
O que foi a Nakba?
Nakba é o nome dado pelos palestinos aos acontecimentos de 1948, quando a criação de Israel e a guerra provocaram expulsões e fugas em massa de palestinos, gerando uma grande população refugiada.
Por que 1967 é uma data tão importante nesse contexto histórico?
Porque, na Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Desde então, a ocupação desses territórios se tornou um eixo central da guerra entre Israel e Palestina.
Qual foi o papel da ONU no início do conflito?
A ONU propôs em 1947 a partilha da Palestina em dois Estados. A aceitação pelos sionistas e a rejeição pelos árabes contribuíram para a escalada que levou à criação de Israel e à guerra de 1948.









