(Unichristus/2024)
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
Teus olhos são garços,
Responde anojado, mas és Marabá:
Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes
Uns olhos fulgentes,
Bem pretos, retintos, não cor d’anajá
(…)
Se ainda me escuta meus agros delírios:
És alva de lírios
Sorrindo responde, mas és Marabá:
Quero antes um rosto de jambo corado,
Um rosto crestado
Do sol do deserto, não flor de cajá
DIAS, Gonçalves. In: MOISÉS, Massaud. A Literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 2007. p. 131.
Uma característica presente na poesia de Gonçalves Dias observada nesse texto é a
A) idealização da solidão.
B) exaltação do panteísmo.
C) existência do escapismo.
D) presença do saudosismo.
E) valorização da brasilidade.
RESOLUÇÃO:
O poema de Gonçalves Dias revela características do romantismo brasileiro, especialmente da primeira geração romântica, marcada pelo indianismo e pela exaltação da pátria.
No trecho apresentado, o eu lírico rejeita uma figura idealizada segundo os padrões europeus (olhos claros como “cor d’anajá”, pele “alva de lírios”) e valoriza os traços físicos ligados à identidade nacional, como “olhos bem pretos”, “rosto de jambo corado” e “rosto crestado / do sol do deserto”. Essas imagens remetem à figura do indígena brasileiro como símbolo nacional — idealizado como forte, valente e conectado com a terra brasileira.
Essa preferência estética e simbólica reforça a valorização do Brasil, de sua natureza e de seus habitantes autóctones, que eram idealizados como representantes legítimos da identidade nacional. Esse movimento era comum entre os autores do romantismo, como forma de construir uma cultura literária independente da tradição europeia e mais próxima do povo brasileiro.
Resp.: E
VEJA TAMBÉM:
– Questão resolvida sobre inserção do índio no romance brasileiro, da Unesp
– Resolução da questão sobre literatura, da Unesp 2018-2
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