A questão palestina é um dos temas centrais da História do Oriente Médio contemporâneo. Ela envolve disputas territoriais, nacionais, religiosas e geopolíticas em torno da Palestina histórica, especialmente desde o fim do domínio otomano e o avanço do projeto sionista, que defendia a criação de um Estado judeu na região. Para compreendê-la, é necessário relacionar processos locais às intervenções das grandes potências, às guerras árabe-israelenses e à situação dos refugiados palestinos.
No Ensino Médio, o estudo desse tema exige atenção a conceitos como nacionalismo, colonialismo, partilha territorial, autodeterminação dos povos e ocupação. Mais do que um conflito apenas militar, a questão palestina expressa a disputa entre projetos de soberania e identidade no Oriente Médio, com impactos duradouros sobre a política regional e sobre a vida cotidiana de milhões de palestinos em Gaza, na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e na diáspora.
Origens históricas da questão palestina
Até a Primeira Guerra Mundial, a Palestina integrava o Império Otomano, com população majoritariamente árabe, composta por muçulmanos, cristãos e uma minoria judaica. No final do século XIX, cresceu o sionismo, movimento político que defendia a criação de um lar nacional judeu, em resposta ao antissemitismo europeu e à busca de uma solução nacional para os judeus.
Após a derrota otomana, a região passou ao controle britânico. Em 1917, a Declaração Balfour afirmou o apoio britânico à criação de um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina, sem resolver de modo claro os direitos políticos da população árabe local. Essa ambiguidade favoreceu o aumento das tensões entre comunidades árabes palestinas e imigrantes judeus.
Durante o Mandato Britânico, a imigração judaica cresceu, especialmente nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada também pela perseguição antissemita na Europa. Ao mesmo tempo, os palestinos passaram a organizar resistências políticas e revoltas contra a colonização, a perda de terras e o domínio britânico.
Partilha da Palestina e criação de Israel
Em 1947, a Organização das Nações Unidas propôs a partilha da Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe, com Jerusalém sob administração internacional. A liderança sionista aceitou o plano, embora com reservas, enquanto grande parte das lideranças árabes e palestinas rejeitou a proposta por considerá-la injusta, já que atribuía parcela significativa do território a uma população judaica ainda minoritária em termos demográficos.
Em 1948, com o fim do Mandato Britânico, foi proclamado o Estado de Israel. Em seguida, ocorreu a primeira guerra árabe-israelense, envolvendo Israel e países árabes vizinhos. O conflito resultou na ampliação do território controlado por Israel para além do previsto pela ONU.
Para os palestinos, 1948 representa a Nakba, palavra árabe que significa “catástrofe”. Centenas de milhares de palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras e cidades, tornando-se refugiados. Esse deslocamento em massa está no centro da questão palestina até hoje, pois envolve o direito de retorno, a memória histórica e a perda da soberania territorial.
Refugiados palestinos e diáspora
A formação de uma ampla população refugiada foi uma das consequências mais profundas da Nakba. Muitos palestinos se estabeleceram em campos de refugiados na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, no Líbano, na Síria e na Jordânia. Ao longo do tempo, esses campos se transformaram em espaços permanentes de vida precária, forte politização e preservação da identidade nacional palestina.
A condição de refugiado palestino tornou-se um tema internacional. A UNRWA, agência da ONU criada especificamente para atender os refugiados palestinos, passou a atuar em educação, saúde e assistência humanitária. Ainda assim, a situação permanece sem solução definitiva, pois o reconhecimento do direito de retorno é um dos pontos mais sensíveis das negociações.
A diáspora palestina também teve papel importante na organização política do povo palestino. Mesmo fora da Palestina histórica, comunidades palestinas mantiveram vínculos culturais, familiares e políticos com a terra de origem, reforçando a ideia de uma nação palestina dispersa, mas ativa na luta por reconhecimento e autodeterminação.
Guerras, ocupação e territórios palestinos
Em 1967, a Guerra dos Seis Dias alterou profundamente o conflito. Israel passou a ocupar a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza, além de outros territórios árabes. Para a questão palestina, essa guerra foi decisiva porque consolidou a ocupação militar israelense sobre as áreas onde os palestinos esperavam construir seu futuro Estado.
Desde então, a ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental envolve postos de controle, expansão de assentamentos israelenses e forte controle sobre circulação, moradia e uso da terra. Muitos países e organismos internacionais consideram esses assentamentos ilegais segundo o direito internacional, mas sua expansão tem dificultado a continuidade territorial palestina.
A Faixa de Gaza apresenta outra dinâmica, marcada por densidade populacional elevada, bloqueios e sucessivos confrontos militares. Assim, o território palestino ficou fragmentado política e geograficamente, o que tornou ainda mais complexa a construção de um Estado soberano e funcional.
Organização política palestina e formas de resistência
Em 1964, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina, a OLP, que se tornou a principal representante política da causa palestina. Sob a liderança de Yasser Arafat, a OLP articulou a luta nacional em escala regional e internacional, combinando diplomacia, mobilização popular e, em certos momentos, ações armadas.
Nas décadas de 1980 e 2000, as Intifadas expressaram levantes palestinos contra a ocupação israelense. A Primeira Intifada teve forte participação popular, com protestos, greves e boicotes. Já a Segunda Intifada ocorreu em contexto mais militarizado, com intensificação da violência e agravamento das condições políticas.
Além da OLP, ganharam destaque grupos como o Hamas, especialmente na Faixa de Gaza. A política palestina passou a conviver com divisões internas entre diferentes estratégias de resistência, negociação e administração territorial, o que também influencia os rumos da questão palestina no Oriente Médio.
Negociações de paz e principais impasses
Os Acordos de Oslo, assinados nos anos 1990, criaram a Autoridade Nacional Palestina e abriram a expectativa de uma solução negociada baseada em dois Estados. No entanto, questões centrais foram deixadas em aberto, como o status de Jerusalém, o destino dos refugiados, as fronteiras definitivas, os assentamentos israelenses e a segurança.
O fracasso de várias rodadas de negociação mostrou que o conflito não se resume a divergências diplomáticas. Há grande assimetria de poder entre as partes, presença de ocupação militar, pressões de atores regionais e internacionais e disputas internas tanto do lado israelense quanto do lado palestino.
Por isso, a questão palestina permanece como um dos temas mais delicados do Oriente Médio. Ela articula memória histórica, identidade nacional, controle territorial e direitos humanos, sendo recorrente em vestibulares e no Enem quando o assunto envolve conflitos contemporâneos, geopolítica regional e heranças do imperialismo.
Perguntas frequentes
O que é a questão palestina?
É o conjunto de conflitos históricos, territoriais e políticos relacionados ao povo palestino, à criação de Israel, à ocupação de territórios e à luta por autodeterminação na Palestina histórica.
O que foi a Nakba?
Nakba significa “catástrofe” em árabe e se refere ao deslocamento em massa de palestinos em 1948, durante a criação do Estado de Israel e a guerra que se seguiu.
Quais são os principais territórios ligados à questão palestina hoje?
Os principais são a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, além dos campos de refugiados palestinos em países vizinhos do Oriente Médio.
O que defendia a solução de dois Estados?
Defendia a criação de um Estado de Israel e um Estado palestino coexistindo lado a lado, com definição de fronteiras, soberania e negociação sobre temas como Jerusalém e refugiados.











