A classificação do relevo brasileiro proposta por Jurandyr Ross é uma das mais importantes da Geografia escolar e acadêmica porque organiza o território com base em critérios geomorfológicos mais precisos. Em vez de observar apenas a altitude, Ross considera principalmente a dinâmica entre processos de erosão e de sedimentação, o que permite compreender melhor como as formas de relevo se estruturam e se distribuem pelo Brasil.
Para o Ensino Médio, essa proposta é especialmente relevante porque aparece com frequência em vestibulares e no Enem ao lado de mapas, perfis topográficos e questões sobre estrutura geológica e ação dos agentes do relevo. Seu modelo divide o relevo brasileiro em planaltos, planícies e depressões, estabelecendo unidades que ajudam a interpretar a organização espacial do país sem confundir forma do relevo com altitude isolada.
O que é a classificação de Jurandyr Ross
Jurandyr Ross elaborou uma classificação do relevo brasileiro que ganhou grande destaque a partir do fim do século XX por atualizar leituras anteriores e incorporar dados cartográficos, imagens de radar e análises geomorfológicas mais detalhadas. Sua proposta busca representar o relevo de modo mais fiel à dinâmica da superfície terrestre no território brasileiro.
Essa classificação não parte da ideia simples de que áreas altas seriam sempre planaltos e áreas baixas seriam sempre planícies. O ponto central é identificar se predomina o desgaste do relevo, associado à erosão, ou o acúmulo de materiais, ligado à sedimentação.
Por isso, a proposta de Ross é considerada mais funcional para interpretar o espaço brasileiro. Ela relaciona formas do relevo, estrutura geológica e ação dos agentes externos, permitindo entender por que áreas muito diferentes entre si podem pertencer à mesma grande categoria geomorfológica.
Critérios usados na definição das unidades do relevo
O principal critério de Ross é o predomínio de processos geomorfológicos. Nos planaltos, predomina a erosão; nas planícies, predomina a sedimentação; e nas depressões, aparecem superfícies rebaixadas em relação às áreas vizinhas, geralmente resultantes de desgaste erosivo.
A altitude, embora importante para descrição, não é o elemento decisivo da classificação. Assim, um planalto pode apresentar altitudes modestas, enquanto uma planície pode não estar necessariamente em cotas muito baixas quando comparada a outras partes do território.
Outro aspecto importante é a comparação relativa entre as formas do relevo. Ross analisa a posição topográfica das áreas e sua relação com as estruturas ao redor, o que torna possível reconhecer depressões entre planaltos ou ao longo de bordas de bacias sedimentares.
Planaltos na classificação de Ross
Na proposta de Ross, os planaltos são áreas em que os processos erosivos superam os deposicionais. Isso significa que o relevo está sendo predominantemente desgastado, ainda que possa apresentar formas variadas, como chapadas, serras, cuestas e maciços.
Essas unidades ocupam grande parte do território brasileiro e aparecem associadas tanto a bacias sedimentares quanto a escudos cristalinos. Portanto, planalto não é sinônimo de terreno muito elevado nem de uma única estrutura geológica.
Entre os exemplos mais lembrados estão os planaltos e chapadas da Bacia do Paraná, os planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste e diversas áreas do Planalto Central. Em provas, é comum que essas unidades sejam relacionadas à dissecação do relevo, à ação fluvial e ao entalhamento de superfícies.
Planícies na classificação de Ross
As planícies são áreas onde prevalece a deposição de sedimentos, isto é, o acúmulo de materiais transportados por rios, mares ou outros agentes. Na leitura de Ross, essa predominância deposicional é mais importante do que a simples aparência de terreno plano.
No Brasil, as planícies ocupam parcelas menores do território em comparação aos planaltos, mas possuem grande relevância ambiental e econômica. Elas costumam estar ligadas a dinâmicas recentes ou atuais de sedimentação, o que explica sua associação com grandes rios, áreas costeiras e zonas alagáveis.
Entre os exemplos clássicos estão a Planície Amazônica, a Planície do Pantanal e as planícies litorâneas. Em questões de Geografia, essas áreas podem ser cobradas em conexão com cheias sazonais, transporte de sedimentos e fragilidade ambiental.
Depressões: a grande inovação da proposta
Um dos pontos mais marcantes da classificação de Ross é a valorização das depressões como categoria ampla do relevo brasileiro. Elas são áreas rebaixadas em relação aos terrenos vizinhos, mas não devem ser entendidas automaticamente como locais abaixo do nível do mar.
Na maioria dos casos brasileiros, as depressões resultam do trabalho erosivo que rebaixa superfícies entre planaltos ou nas bordas de bacias sedimentares. Por isso, podem aparecer como faixas alongadas, superfícies suavemente onduladas ou áreas de transição entre unidades mais elevadas.
Exemplos importantes são a Depressão Sertaneja e do São Francisco, a Depressão Cuiabana e várias depressões periféricas. Em vestibulares, a identificação dessas áreas costuma exigir atenção ao relevo relativo, e não apenas à altitude absoluta do lugar.
Aplicação da classificação ao território brasileiro
A leitura de Ross permite compreender o território brasileiro como um mosaico de unidades geomorfológicas articuladas. Em vez de um país formado apenas por grandes blocos elevados e baixadas, o Brasil passa a ser interpretado por meio de relações entre erosão, sedimentação e rebaixamento topográfico.
Essa aplicação é útil para analisar mapas físicos, perfis de relevo e a distribuição das paisagens regionais. Também ajuda a entender por que o interior do país apresenta extensos planaltos e depressões, enquanto as planícies aparecem mais concentradas em áreas fluviais e litorâneas.
Para o estudante, o mais importante é reconhecer a lógica da classificação: planaltos correspondem ao predomínio da erosão, planícies ao predomínio da sedimentação e depressões a superfícies rebaixadas em relação ao entorno. Essa chave interpretativa costuma resolver questões que tentam confundir relevo com altitude ou com aparência visual isolada.
Perguntas frequentes
A classificação de Ross usa a altitude como critério principal?
Não. A altitude pode ajudar na descrição, mas o critério central é o predomínio de processos geomorfológicos, como erosão e sedimentação, além da posição relativa das formas no relevo.
Toda área plana é uma planície na proposta de Ross?
Não. Uma área pode ter aparência plana e ainda assim ser classificada como planalto, se nela predominar a erosão. Planície, para Ross, é a área em que predomina a deposição de sedimentos.
Depressão é sempre uma área abaixo do nível do mar?
Não. No Brasil, as depressões da classificação de Ross são geralmente áreas rebaixadas em relação ao entorno, mas situadas acima do nível do mar.
Qual é a principal importância da classificação de Ross para o estudo do Brasil?
Ela permite interpretar o relevo brasileiro de forma mais precisa, relacionando formas da superfície, estrutura geológica e dinâmica erosiva e deposicional em diferentes regiões do país.







