Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil e uma figura central nos primeiros anos da República. Conhecido como “Marechal de Ferro”, governou entre 1891 e 1894, em um período marcado por forte instabilidade política, crises econômicas e revoltas militares. Estudar seu governo é essencial para compreender como a República brasileira se consolidou de forma autoritária, com forte presença das Forças Armadas na vida política nacional.
No Ensino Médio, especialmente em conteúdos cobrados no Enem e nos vestibulares, Floriano Peixoto aparece ligado à chamada República da Espada, fase inicial da República em que militares ocuparam a presidência. Seu governo ajuda a explicar tensões entre civis e militares, os conflitos entre centralização e autonomia regional e o uso da repressão como instrumento de manutenção do poder.
Quem foi Floriano Peixoto
Floriano Vieira Peixoto nasceu em 1839, em Alagoas, e construiu carreira no Exército brasileiro. Participou da Guerra do Paraguai, experiência que fortaleceu sua projeção militar e política em um contexto no qual o Exército ampliava sua influência no Império e, depois, na República.
Com a Proclamação da República, em 1889, Floriano tornou-se vice-presidente de Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil. Quando Deodoro renunciou em 1891, após uma grave crise política, Floriano assumiu a presidência, apesar de existirem questionamentos sobre a legalidade de sua permanência no cargo.
Sua imagem histórica está associada à firmeza, ao nacionalismo e à repressão das oposições. Por isso, o apelido “Marechal de Ferro” sintetiza a forma como governou: com forte apoio militar e pouca disposição para negociações amplas com adversários.
Floriano Peixoto e a República da Espada
A República da Espada corresponde aos primeiros anos do regime republicano brasileiro, entre 1889 e 1894, quando os dois presidentes foram militares: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Esse período foi marcado por tentativas de estruturar o novo regime, redefinir instituições e conter resistências políticas em diferentes regiões do país.
A Constituição de 1891 estabeleceu um modelo republicano presidencialista e federativo, inspirado em parte na experiência dos Estados Unidos. No entanto, a prática política estava longe da estabilidade institucional, pois havia conflitos entre o governo central, as oligarquias regionais, setores militares e grupos monarquistas.
Nesse cenário, Floriano assumiu como representante de uma República ainda frágil. Seu governo foi importante para impedir o colapso imediato do novo regime, mas isso ocorreu por meio de medidas duras e concentração de poder, revelando que a consolidação republicana no Brasil não foi propriamente democrática.
A crise sucessória e a questão da legalidade
Quando Deodoro da Fonseca renunciou à presidência, abriu-se um debate sobre o artigo constitucional que previa novas eleições caso a vacância presidencial ocorresse antes de dois anos de mandato. Como a renúncia se deu nesse intervalo, opositores defenderam que Floriano deveria convocar nova eleição.
Floriano, porém, manteve-se no cargo e justificou sua permanência com base em uma interpretação política favorável à continuidade do governo. Essa decisão gerou forte reação, principalmente entre setores que viam nela uma violação da recém-promulgada Constituição de 1891.
Esse episódio é muito importante para a análise histórica porque mostra a fragilidade das instituições republicanas no nascimento do regime. Em vez de uma solução baseada em consenso jurídico, prevaleceu a correlação de forças, com o apoio militar sendo decisivo para sustentar Floriano na presidência.
Revoltas e repressão no governo Floriano
O governo de Floriano Peixoto enfrentou duas grandes ameaças: a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. A Revolta da Armada foi liderada por setores da Marinha no Rio de Janeiro, que contestavam a permanência de Floriano e exigiam nova eleição presidencial.
Já a Revolução Federalista ocorreu principalmente no sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, envolvendo disputas locais e nacionais. Os federalistas se opunham ao grupo político dominante no estado e, em vários momentos, o conflito se conectou às tensões do governo central, ampliando a instabilidade da República.
Floriano respondeu a essas revoltas com forte repressão militar. Sua ação foi eficaz para derrotar os adversários e preservar o regime republicano, mas também consolidou uma tradição autoritária na política brasileira, em que a ordem era mantida por meio da força estatal e da limitação da oposição.
Economia, política urbana e apoio popular
Floriano assumiu o governo após os efeitos da crise do Encilhamento, que havia provocado especulação financeira, inflação e desorganização econômica nos primeiros anos da República. Seu governo buscou certa recuperação da autoridade estatal em meio a um cenário de desconfiança econômica e instabilidade institucional.
Em algumas situações, Floriano adotou medidas que lhe renderam apoio entre camadas populares urbanas, especialmente no Rio de Janeiro. Sua imagem de governante enérgico, disposto a enfrentar elites políticas e a controlar a crise, contribuiu para a construção de uma popularidade incomum para um presidente daquele período.
Mesmo assim, esse apoio não significava participação democrática ampla. A política republicana continuava restrita, com voto excludente e forte controle das elites. Portanto, a popularidade de Floriano deve ser entendida dentro de um contexto de cidadania limitada e de predomínio autoritário.
Importância histórica e interpretação para vestibulares
Floriano Peixoto costuma ser interpretado como um personagem-chave da consolidação inicial da República no Brasil. Ele garantiu a sobrevivência do novo regime em um momento de intensas ameaças, mas o fez reforçando práticas centralizadoras e repressivas que marcariam a vida política republicana.
Para vestibulares e Enem, é importante relacionar seu governo à República da Espada, à fragilidade da Constituição de 1891, aos conflitos entre Exército e Marinha e ao uso da força como mecanismo de estabilização política. Também é relevante compreender que a República brasileira nasceu cercada por exclusões sociais e baixa participação popular.
Uma boa leitura histórica evita visões simplistas. Floriano não foi apenas um “salvador da República” nem apenas um ditador militar. Seu governo expressa as contradições de um regime que buscava se afirmar como moderno e republicano, mas recorria frequentemente à coerção para resolver disputas políticas.
Perguntas frequentes
Por que Floriano Peixoto foi chamado de Marechal de Ferro?
Porque governou com grande rigidez e reprimiu duramente as revoltas que ameaçavam seu poder e a continuidade da República.
Floriano Peixoto assumiu a presidência de forma totalmente pacífica?
Não. Sua posse ocorreu após a renúncia de Deodoro da Fonseca, mas sua permanência no cargo foi contestada por grupos que defendiam novas eleições, com base na Constituição de 1891.
Quais foram as principais revoltas do governo Floriano?
As principais foram a Revolta da Armada, ligada à Marinha, e a Revolução Federalista, concentrada no sul do Brasil.
Qual a relação de Floriano Peixoto com a República da Espada?
Floriano foi o segundo e último presidente da República da Espada, fase inicial da República em que os militares controlaram a presidência do Brasil.








