A Intentona Comunista foi uma série de levantes militares ocorridos em novembro de 1935, durante a Era Vargas. O episódio envolveu setores das Forças Armadas ligados à Aliança Nacional Libertadora, organização de frente ampla que reunia diferentes opositores do governo, com forte influência comunista.
No contexto da Era Vargas, a Intentona Comunista ganhou grande importância porque foi usada por Getúlio Vargas para justificar o aumento da repressão política. Por isso, compreender esse movimento exige analisar tanto suas causas e objetivos quanto seus efeitos imediatos na consolidação do poder varguista.
Contexto político da Era Vargas em 1935
Em 1935, o governo constitucional de Getúlio Vargas enfrentava tensões sociais, disputas ideológicas e forte polarização. A crise econômica mundial, os conflitos entre projetos autoritários e democráticos e o crescimento de movimentos de massa criavam um ambiente de instabilidade política no país.
Nesse cenário, avançavam correntes inspiradas no fascismo e no comunismo. A Ação Integralista Brasileira defendia ideias nacionalistas e autoritárias, enquanto a Aliança Nacional Libertadora propunha reformas sociais, combate ao imperialismo e oposição ao governo Vargas. A radicalização entre esses grupos marcou o período.
A Aliança Nacional Libertadora e a preparação do levante
A Aliança Nacional Libertadora, criada em 1935, reuniu militares, comunistas, socialistas e outros setores descontentes. Seu presidente de honra era Luís Carlos Prestes, figura central da esquerda brasileira. Embora a ANL não fosse exclusivamente comunista, o Partido Comunista Brasileiro teve grande influência em sua orientação.
Após o fechamento da ANL pelo governo, parte de seus militantes passou a defender a via armada. A proposta era derrubar Vargas e instalar um governo popular, mas a articulação foi frágil, mal coordenada e com apoio social limitado. Isso comprometeu a capacidade de expansão do movimento.
Os levantes de novembro de 1935
A Intentona Comunista ocorreu em unidades militares de Natal, Recife e Rio de Janeiro. Em Natal, os revoltosos chegaram a assumir o controle local por alguns dias. Já em Recife e no Rio, os levantes enfrentaram resistência mais rápida e foram contidos pelas forças legalistas.
Apesar do nome consagrado, o movimento não foi uma revolução nacional ampla. Tratou-se de rebeliões localizadas, com participação restrita e pouca adesão popular. O fracasso revelou a distância entre os planos dos conspiradores e as condições concretas para uma tomada de poder no Brasil daquele momento.
Repressão, propaganda anticomunista e consequências
Após o fracasso dos levantes, o governo Vargas intensificou a repressão, prendeu opositores e fortaleceu os instrumentos de vigilância política. A Intentona foi apresentada oficialmente como prova de uma grave ameaça comunista, o que ajudou o governo a ampliar o controle sobre sindicatos, partidos e movimentos sociais.
Esse episódio teve papel decisivo no endurecimento do regime durante a Era Vargas. A exploração política do medo do comunismo contribuiu para legitimar medidas autoritárias e preparar o terreno para o golpe de 1937, que instaurou o Estado Novo. Assim, a Intentona tornou-se peça central da narrativa varguista de segurança nacional.
Perguntas frequentes
A Intentona Comunista foi uma revolução comunista no Brasil?
Não. Foram levantes militares localizados, com pouca adesão popular e duração curta. O movimento fracassou rapidamente e não conseguiu se transformar em revolução nacional.
Qual foi a relação entre a ANL e a Intentona Comunista?
A ANL foi o principal espaço político ligado ao movimento. Após seu fechamento, setores influenciados pelo PCB e por Luís Carlos Prestes aderiram à ideia de levante armado contra Vargas.
Por que a Intentona Comunista foi importante na Era Vargas?
Porque serviu de justificativa para ampliar a repressão política, fortalecer o anticomunismo oficial e criar condições para o aumento do autoritarismo que culminou no Estado Novo.








