A Redação da Unicamp é corrigida com base em diretrizes da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), que organizam a avaliação em quatro aspectos centrais: proposta temática, gênero textual, leitura dos textos da prova e convenções da escrita e coesão. Para os candidatos, entender esses critérios ajuda a saber o que a banca observa no texto e quais falhas podem comprometer a nota.
Além da qualidade da escrita, a correção leva em conta o atendimento às instruções da proposta e a forma como o candidato constrói seu projeto de texto. Isso inclui escrever sobre o tema solicitado, respeitar o gênero pedido, usar de modo pertinente os textos apresentados na prova e fazer escolhas de linguagem adequadas. As diretrizes também preveem situações em que a redação pode ser anulada e receber nota zero.
Quais são os critérios de correção
A Comvest divide a correção em dois conjuntos. Em gênero e leitura, são observados a proposta temática, o gênero textual e a leitura dos textos fornecidos na prova. Em gênero e escrita, entram as convenções da escrita e a coesão. Cada um desses itens tem níveis próprios de desempenho na grade de avaliação.
A proposta temática vale de 0 a 2 pontos. Gênero textual e leitura dos textos da prova recebem, cada um, de 0 a 3 pontos. Já convenções da escrita e coesão são avaliadas de 1 a 4 pontos. As diretrizes indicam ainda que o detalhamento do cumprimento da proposta temática depende da prova aplicada.
Como a banca avalia tema e gênero textual
No critério de proposta temática, a banca verifica se o candidato cumpriu o que foi solicitado no enunciado. A grade distingue cumprimento pleno, cumprimento parcial e não cumprimento da proposta. Na prática, isso exige atenção ao recorte do tema e às tarefas pedidas antes do início da redação.
No item gênero textual, a avaliação não se limita ao nome do formato pedido. A Comvest considera a construção composicional do gênero, a situação de produção apresentada no enunciado e a interlocução solicitada. Isso significa observar quem escreve, para quem escreve, em que situação e com qual finalidade.
Na faixa mais alta desse critério, o texto desenvolve bem o gênero, explora sua organização característica e configura a situação de produção e os interlocutores. Quando há falhas nessa construção ou ausência de elementos importantes da interlocução, a pontuação pode cair, ainda que o texto trate do assunto proposto.

Leitura dos textos da prova também conta pontos
Os textos apresentados na proposta fazem parte da avaliação da Redação da Unicamp. A banca observa se o candidato compreendeu esse material e se conseguiu utilizá-lo de modo coerente com seu projeto de texto. A maior pontuação nesse critério exige leitura crítica, apropriação produtiva dos textos, compreensão global, inferências e ausência de erros de leitura.
Uma leitura adequada, mesmo com erro pontual que não comprometa o projeto de texto, se enquadra em outro nível da grade. Já leituras superficiais, erros que prejudiquem o desenvolvimento da redação e uso dos textos sem relação clara com a proposta reduzem a pontuação.
As diretrizes classificam como uso insuficiente apenas mencionar os textos, fazer simples paráfrases, restringir-se a cópias ou deixar de utilizar o material da prova. Em exames de redação, a exigência de diálogo efetivo com a coletânea se diferencia de propostas em que a ação explícita e coerente aparece como parte central da intervenção pedida. No caso da Unicamp, o foco está no aproveitamento pertinente dos textos e no atendimento ao gênero solicitado.
Convenções da escrita e coesão
No eixo de convenções da escrita e coesão, a Comvest analisa escolhas de palavras, construções sintáticas e recursos que articulam as partes do texto. A faixa mais alta da grade descreve escolhas lexicais ou sintáticas produtivas e recursos coesivos produtivos para a redação, admitindo erros eventuais.
As diretrizes também distinguem escolhas adequadas, simples e inadequadas, sempre considerando o funcionamento desses recursos no conjunto do texto. Erros variados ou recorrentes, problemas na articulação das ideias e prevalência de paráfrases dos textos da prova aparecem nos níveis inferiores. A avaliação, portanto, considera o efeito das escolhas de linguagem no texto produzido.
O que pode zerar a redação da Unicamp
A Comvest estabelece três situações em que a redação é anulada, com nota zero:
- quando aborda tema diferente do apresentado na prova;
- quando o candidato não cumpre nem a proposta temática nem o gênero textual solicitado;
- quando prevalecem cópias do enunciado ou dos textos da prova.
Isso significa que recorrer ao material fornecido é permitido, mas o candidato precisa produzir um texto próprio, responder aos comandos da proposta e construir a redação de acordo com o gênero exigido.
Como usar as diretrizes na preparação
Ao treinar propostas anteriores, o candidato pode usar as diretrizes como referência para organizar a leitura do enunciado. Um caminho é identificar quatro elementos: o tema e seu recorte, o gênero pedido, a situação de produção e os interlocutores. Depois, cabe selecionar quais informações dos textos da prova ajudam a cumprir a tarefa antes de definir a sequência das ideias.
Na revisão, a grade funciona como roteiro para verificar se o texto realizou todas as ações pedidas, se manteve as características do gênero, se utilizou os textos da prova de forma pertinente e se apresentou progressão clara. Também é importante observar se há trechos copiados ou excesso de paráfrases.
Enquanto discussões sobre exames nacionais incluem cenários em que o formato atual será mantido ou poderá ser revisto no futuro, as diretrizes da Comvest já deixam definido que, na Unicamp, a correção considera proposta temática, gênero textual, leitura dos textos da prova e convenções da escrita e coesão, além da anulação nos casos de fuga ao tema, descumprimento da proposta e prevalência de cópias.












