Questão comentada sobre comércio na Baixa Idade Média

(Enem/2014 – PPL) Veneza, emergindo obscuramente ao longo do início da Idade Média das águas às quais devia sua imunidade a ataques, era nominalmente submetida ao Império Bizantino, mas, na prática, era uma cidade-estado independente na altura do século X. Veneza era única na cristandade por ser uma comunidade comercial: “Essa gente não lavra, semeia ou colhe uvas”,  como um surpreso observador do século XI constatou. Comerciantes venezianos puderam negociar termos favoráveis para comerciar com Constantinopla, mas também se relacionaram com mercadores do islã.

FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de Maomé à Reforma.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

A expansão das atividades de trocas na Baixa Idade Média, dinamizadas por centros como Veneza, reflete o(a)
A) importância das cidades comerciais.
B) integração entre a cidade e o campo.
C) dinamismo econômico da Igreja cristã.
D) controle da atividade comercial pela nobreza feudal.
E) ação reguladora dos imperadores durante as trocas comerciais.

RESOLUÇÃO:
Não se pode dissociar o comércio local com as atividades de troca. Dessa forma, as cidades tornavam-se mais importantes à medida que suas trocas comerciais atingiam pontos mais distantes. Obviamente, o desenvolvimento regional dependia da localização (e do papel) das cidades comerciais.
Resp.: A

VEJA TAMBÉM:
Questão discursiva sobre Idade Média, da FUVEST.

Questão comentada sobre patrimônio cultural, do Enem

(Enem 2014 – PPL) Desde 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem registrado certos bens imateriais como patrimônio cultural do país. Entre as manifestações que já ganharam esse status está o ofício das baianas do acarajé. Enfatize-se: o ofício das baianas, não a receita do acarajé. Quando uma baiana prepara o acarajé, há uma série de códigos imperceptíveis para quem olha de fora. A cor da roupa, a amarra dos panos e os adereços mudam de acordo com o santo e com a hierarquia dela no candomblé. O Iphan conta que, registrando o ofício, “esse e outros mundos ligados ao preparo do acarajé podem ser descortinados”.

KAZ, R. A diferença entre o acarajé e o sanduíche de Bauru. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 13, out. 2006

De acordo com o autor, o Iphan evidencia a necessidade de se protegerem certas manifestações históricas para que continuem existindo, destacando-se nesse caso a

A) mistura de tradições africanas, indígenas e portuguesas no preparo do alimento por parte das cozinheiras baianas.
B) relação com o sagrado no ato de preparar o alimento, sobressaindo-se o uso de símbolos e insígnias pelas cozinheiras.
C) utilização de certos ingredientes que se mostram cada vez mais raros de encontrar, com as mudanças nos hábitos alimentares.
D) necessidade de preservação dos locais tradicionais de preparo do acarajé, ameaçados com as transformações urbanas no país.
E) importância de se treinarem as cozinheiras baianas a fim de resgatar o modo tradicional de preparo do acarajé, que remonta à escravidão.

RESOLUÇÃO:
A leitura do enunciado deixa evidente o profundo misticismo envolvido no preparo do acarajé (” A cor da roupa, a amarra dos panos e os adereços mudam de acordo com o santo e com a hierarquia dela no candomblé“); essa é, portanto, a motivação da colocação do ofício do preparo do acarajé como Patrimônio cultural do país.
Resp.: B

VEJA TAMBÉM:
Questão comentada sobre patrimônio mundial, envolvendo Rio de Janeiro, do Enem.